Clitoris
- Vany Giannini
- 9 de jan. de 2023
- 3 min de leitura
Pequeno, modesto, discreto e um tanto poderoso. Estou falando do clitóris!
Clitóris ou clítoris, as duas terminologias são corretas. É um órgão sexual feminino presente em todos os mamíferos e outros animais. É uma estrutura um tanto complexa de tamanho e sensibilidade variáveis.
E só relembrando nossas aulas de biologia...
Dentro das nossas células temos 23 pares de cromossomos. 22 destes pares são chamados de cromossomos autossômicos, enquanto o par restante são os cromossomos sexuais, determinando o sexo de cada indivíduo. Homens são representados por cromossomos XY e mulheres por XX.
O pênis e o clitóris são órgãos homólogos. A pele do escroto e do pênis é fechada formando uma linha chamada de rafe escrotal. E quando não há esse fechamento os lábios vaginais tomam forma. Por esse motivo que no exame de ultrassonografia, aproximadamente na 12ª semana de gestação, que o sexo do bebê estará quase que claramente definido.
Voltando ao tema!
O clitóris mede aproximadamente 9 cm e contém cerca de 8 mil terminações nervosas e é conhecido como botão mágico ou ponta do iceberg, graças ao tamanho e poder que ele tem. Tem duas vezes mais do que a quantidade encontrada no pênis e sua grande parte é localizada internamente. Fica bem escondidinho.
Com a excitação o fluxo sanguíneo aumenta e o faz crescer, tornando-o mais rígido e protuberante, quase como uma ereção quando chega a atingir até 2cm externamente. Ah, ele pode crescer também em situações em que a mulher toma doses bem elevadas de testosterona, como no caso de fisiculturistas.
A literatura médica só reconheceu a existência do clitóris no século XVI. Foi quando em 1559, Matteo Renaldo Colombo, professor de cirurgia na Universidade de Pádua na Itália, estudou o clitóris pela primeira vez. Descreveu como um "assento do deleite da mulher”.
Poderia aprofundar mais nas minhas pesquisas, mas provavelmente não encontrarei tantos nomes assim. Mas foi em 1844 que um médico alemão, Georg Ludwig Kobelt iniciou as descobertas do clitóris quase que na sua riqueza de detalhes para a época.
Muitas teorias caíram por terra, mas foi no final do século XX que novas descobertas vieram à tona. Órgão com um poder incrível de proporcionar unicamente prazer para a mulher.
E em 1998, a grande revelação foi a urologista australiana Helen O’Connell, descobrindo o verdadeiro formato do clitóris, através de ressonância magnética. Ela descreve a anatomia exata do clitóris com seus bulbos, crura, pele e glande, que é a parte mais visível e sensível. Formado de corpo cavernoso (o mesmo tecido erétil do pênis), ele se enche de sangue quando excitado para produzir a ereção. Ela desvenda também a desmistificação do famoso ponto G (G-Spot), ponto este nunca encontrado na sua dissecação. Talvez pelo fato de se saber que o terço médio da parede anterior da vagina é abundantemente inervada, o que lhe permite um maior prazer no momento da introdução do pênis.
Em 2009 os cientistas Odile Buisson e Pierre Foldes produziram a primeira ultrassonografia tridimensional de um clitóris ereto, similar ao sistema erétil masculino, confirmando o já desvendado.
Em 2016, outra pesquisadora francesa chamada Odile Fillod, revolucionou ao criar o modelo em tamanho real e impresso em 3D, mostrando como de fato era o clitóris, suas bases anatômicas e fisiológicas, conscientizando de sua contribuição para o prazer e desejo sexual. Ainda afirma que o órgão feminino continua se desenvolvendo ao longo da vida, mudando de tamanho em momentos como o período fértil, quando a glande pode ficar 2,5 vezes maior. Ela ressalta que o órgão de prazer sexual da mulher não é a vagina e que conhecer a anatomia do clitóris permite que elas entendam o que lhes dá prazer.
Aprender sobre o seu prazer sexual tocando o próprio corpo é o caminho saudável para o autoconhecimento. Saber o que lhe dá prazer é a maneira mais fácil e eficiente para obter uma relação saudável e feliz.
A autoestima é a chave de uma vida sexual promissora. Desmistificar alguns tabus que nos cercam no mundo do sexo e explorar nosso potencial fará com que as queixas diminuam!




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